Leguminosa de alto valor nutritivo e bem adaptada ao solo seco do semi-árido nordestino, a algaroba desponta como uma excelente alternativa econômica, social, ambiental, política e cultural para a região. Só no Médio-Baixo São Francisco, na divisa da Bahia com Pernambuco, já são 30 mil hectares plantados, com grande potencial para exploração da cadeia produtiva que engloba três vertentes: florestal (energia limpa, carvão vegetal), ração animal (farelo) e alimentação humana (farinha e goma).
Diferente de outras espécies florestais que são introduzidas para obtenção de monoprodutos como a lenha ou o carvão e, que muitas vezes, são exploradas e manejadas por grandes empresas, a algarobeira amplia o leque de produtos para os agricultores familiares com o aproveitamento da vagem e sementes como forrageiras e alimentação humana, como lenha, carvão e exerce função ambiental na proteção do solo e das matas ciliares.
Por compreender o alcance social da cadeia para o semi-árido, que pode ser comparado a do eucalipto para o extremo-sul, o governo estadual renovou o convênio de isenção de ICMS para a cadeia produtiva da algaroba. Com o estande na 131ª Reunião do Confaz – Conselho Nacional de Política Fazendária, a Riocon – Fazendas Reunidas Rio de Contas, empresa pioneira, que em 12 anos já investiu mais de R$10 milhões, entre recursos próprios e de parceiros, no desenvolvimento de pesquisas com algaroba pretende incentivar os demais estados nordestinos a investir na cadeia produtiva da algaroba, seguindo o exemplo do governo baiano e adotando a política de isenção de impostos para exploração da leguminosa. Até 2010 o montante deverá chegar a R$18 milhões.
Outro fator que levou a Bahia a aprovar a renovação do convênio foi a substituição do sistema extrativista por técnicas sustentáveis de manejo, preservando o meio-ambiente e gerando emprego e renda para cerca de 800 famílias de pequenos produtores. “Podemos chegar facilmente a 5000 famílias só no Vale do São Francisco. Imaginem o alcance disso para a agricultura familiar em todo o Nordeste”, sugere Alessander Davi, coordenador da Riocon.
A produção racional, introduzida por meio do IDAN - Instituto de Desenvolvimento Sustentável do Semi-árido, é capaz de ultrapassar 100 kg. por árvore de produtividade do sistema extrativo, que é de um a cinco quilos por árvore. A algaroba, nativa do Peru, foi introduzida no semi-árido do Nordeste na década de 40, mas faltou, segundo o coordenador da Riocon, uma estratégia de governo para a exploração racional da cadeia produtiva regulamentando e conciliando os múltiplos interesses – pequenos produtores, iniciativa privada e governos. “Os bosques já estão consolidados, mas os produtores não sabem o que fazer com eles”, observa Alessander Davi, defendendo o incentivo oficial para que as iniciativas pública e privada possam desenvolver pesquisas e agregar valor à produção, assim como atingir alta produtividade e alta remuneração.
E é justamente isto que a Riocon vem fazendo. Com a linha de farelos para ração já consolidada, preparando-se para alcançar a plena capacidade instalada (10 mil toneladas) até 2010, a empresa investe no desenvolvimento de uma nova linha, a de goma, a ser utilizada como aditivo na alimentação humana. O potencial dessa vertente de alimentação humana (farinha e goma) é tanto que a Riocon foi contemplada com recursos do edital do Programa Bahia Inovação 2008, de subvenção econômica para empresas, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), ligada à Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti).
O IDAN é uma ONG criada com o objetivo de transformar os catadores de algaroba em verdadeiros produtores, assessorando na sua organização, dando-lhes orientação técnica e empresarial para o tratamento racional de suas glebas. “Em determinadas épocas do ano a colheita da algaroba, na região, é a única fonte de renda para os pequenos agricultores”, ressalta Alessander Davi, chamando atenção para o impacto dessa cadeia produtiva para a agricultura familiar, programa prioritário tanto para o governo estadual quanto para o federal.